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sexta-feira, 16 de março de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Aprendiz de feiticeiro

"


Aprendi quando criança que - além de tudo - balança esse nosso mundo cão
Aprendi que quem não dança já dançou na sua infância,

senão rock foi baião
Aprendi da importância de não dar muita importância,

ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França,

mesmo indo de avião
Aprendi que a desavença é porque sempre alguém pensa

que ninguém mais tem razão
Aprendiz de feiticeiro

Aprendiz de feiticeiro
Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça,

tomando champanhe ou não
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença são partes da maldição
Aprendi que a ignorância, a sordidez e a ganância são lavas desse vulcão
Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça (
por fora; por dentro não)
Aprendi tetra depressa que a taça do mundo é nossa
e que São Paulo é o meu sertão.



"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Citação do dia

"


The voice in his head
never stopped for breath. 
It spoke of danger,
it warned of death. 
It shouted, "Hurry, pack up and flee!"

And all before his morning pee.


"

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vila de Amor e Amizade onde não é preciso dinheiro
José Antonio Sestelo


Fui ao Japão pela primeira vez em setembro de 1995, quando as folhas começavam a cair na província de Mie em Honshu, a maior ilha do arquipélago. Lembro especialmente da beleza das cores, do sabor das frutas e do cheiro da palha de arroz depois da colheita.


Voltei no inverno, a tempo de experimentar a celebração do ano novo na Vila Yamaguishi do Toyosato, próximo da cidade de Tzu. Desta vez para ficar por mais tempo morando na Vila e freqüentando o seminário da Escola de Kensan em tempo integral. A Vila era uma comunidade agrícola anarquista ligada em rede com outros núcleos em todo o Japão. A base do seminário na Escola de Kensan era a reflexão em conjunto sobre as atividades práticas de trabalho e da vida quotidiana em uma perspectiva que, hoje penso, estaria ligada à tradição do budismo Zen japonês.


Conheci pessoas muito interessantes durante esse tempo. Foi aí também que conheci o AIKI DÔ. Não com esse nome, porque ninguém me disse que ali se praticava uma arte marcial. Era uma vila de agricultores onde se plantava arroz em consórcio com a criação de animais. O esterco, inclusive humano, era utilizado para preparar um composto e fertilizar o solo, e os vegetais eram utilizados para alimentar os animais. Usava-se também todo tipo de sobra e refugo de alimentação humana para fazer ração. O pessoal da vila uma vez recebeu um grande carregamento de bananas que vieram do Equador, mas haviam sido rejeitadas pelo importador porque estavam fora do padrão estético comercial. A carga seria devolvida ou teria que ser incinerada. A vila era uma sociedade onde “não havia nada para se jogar fora”.


As crianças viviam juntas desde pequenas e, na idade escolar, freqüentavam também a escola do bairro. Um dia vi uma cena que me impressionou. Um Sensei já velhinho recebeu os meninos para atividade física e recreação. No tatami fizeram uma brincadeira onde as crianças corriam para derrubar o Sensei com um ataque frontal. Não havia fila. Ia quem queria, na hora que queria. Primeiro uma, depois em grupos, depois todos juntos, os pequenos partiam decididos e eram arremessados delicadamente pelo Sensei de encontro ao chão. No final, o Sensei, que trabalhava cuidando das galinhas, mostrou um ovo.


Falou que o ovo era fertilizado e cheio de vida, pediu cuidado e... arremessou o ovo no ar. Um garoto voou e agarrou com a mão impedindo a queda, e o devolveu delicadamente para a o Sensei.


Trabalhei com as galinhas um tempo e tive oportunidade de conversar com os tratadores. Eles diziam que não estavam ali apenas para produzir ovos. Enfatizavam que cultivavam uma relação de harmonia entre eles, os animais e a natureza, e que o ovo era apenas um sub produto dessa relação. As galinhas viviam com os galos em quartos arejados e espaçosos e os ovos eram conhecidos em todo o Japão como “ovos da felicidade”.


Anos depois, no Brasil encontrei um grupo e comecei a praticar formalmente o AIKI DÔ. Agora na tradição de O Sensei Ueshiba trazida para o Brasil por Kawai Shihan, mas sem perder a ligação com os princípios que havia praticado desde o tempo de Japão.


Para mim ainda é algo misterioso e intrigante como é que se pode gerar harmonia, no trato das coisas do mundo seja lá o que for. Seja criando galinha, seja cuidando de criança ou se movimentando no tatami ao lado de um UKÊ.


Meu palpite é que todo movimento tem um ponto de origem, e que esse ponto está associado a uma intenção e a um sentimento. A forma específica que o movimento assume será sempre a forma de conveniência para um dado momento, e cada momento é único e não se repete jamais. Portanto não existe forma padrão que possa ser usada de rotina.


Na Vila o ponto central de convivência era o refeitório. Era ali que se celebrava a vida e se iniciava, pela boca, a produção do esterco para fertilizar o solo. Não havia nada para se jogar fora, porque partia-se do entendimento de que tudo que existe, mesmo os sentimentos humanos mais agressivos e violentos podiam ser, de alguma forma, harmonizados em algo que compõe, que integra.


O desafio e a beleza da forma residem na sua relação de harmonia com a paisagem, então, penso, o primeiro trabalho é procurar enxergar essa relação. O treino no tatami permite o confronto com a dura realidade física dos corpos humanos que se chocam, com a dor, com o medo, com o apego ao próprio pensamento e também com a leveza, com o desapego e a superação da barreira de fumaça dos limites humanos.


Não há nada prá se jogar fora, não há nenhum gesto que não possa ser aproveitado, não há nada que seja bom ou ruim por definição. No final, o “bom” é o que combina e, de fato, não é possível fazer nada que seja realmente bom, sozinho.


Tudo isso, no entanto, dito assim dessa forma, corre o risco de ser tomado como uma prescrição ou preceito moral para algum tipo de conduta humana, o que não é a minha intenção. De fato a intenção, o ponto de origem desse texto se resume em um convite à prática. Assim, cada um do seu jeito, sem tirar nem por nada de essencial, talvez se possa descobrir coisas interessantes tomando a vida como ela é...


Que tal? Vamos fazer juntos?



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Papel ou tablets?

"Se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio". Linda música! Ali o compositor Luiz Melodia referia-se ao bairro Estácio de SáHoje uma querida amiga bibliotecária me enviou uma notícia referente à Universidade Estácio de Sá:


Universidade brasileira quer substituir livros e xerox por tablets gratuitos


Várias universidades no exterior estão experimentando o iPad como substituto dos caros e volumosos livros-texto, e para ampliar o ensino com conteúdo multimídia. A Universidade Estácio quer fazer algo semelhante no Brasil: a partir de agosto, cinco mil estudantes receberão tablets rodando Android com o material didático do curso, e eles não terão que pagar a mais por isso. Não é pra jogar Angry Birds na aula, hein!
O tablet vai acessar a rede Wi-Fi da faculdade, mas terá suporte a 3G, e operadoras já estão preparando pacotes de dados para os alunos. Com o tablet, será possível ter acesso ao material didático do curso, além da biblioteca virtual da universiade e de toda a intenet – com Flash, vale ressaltar. Segundo Pedro Graça, diretor de mercado da Estácio, o tablet será um modelo ainda não lançado no Brasil, “com boa capacidade para Flash e vídeo, já que nosso material pedagógico é multimídia e interativo”.
Primeiro serão os cinco mil calouros de Direito no RJ e ES a receber os tablets; até 2016, a ideia é distribuir tablets para todos os alunos, substituindo de vez o material didático em papel – enviado todo semestre aos estudantes via correio – pela versão digital. O tablet deve custar à universidade de US$350 a US$450, mas a promessa é que os estudantes não vão pagar a mais por isso – e ainda poderão ficar com o aparelho ao final do curso.
Mas e se o tablet for roubado? O Pedro da Estácio explica que o tablet precisa se conectar de tempos em tempos à rede da Estácio, senão para de funcionar – isso deve ajudar a evitar roubos. Se o aluno perder ou quebrar o tablet, no entanto, terá que pagar por um novo, a preço de custo.
O projeto com certeza é bem-vindo, não só por implementar tecnologia na sala de aula, como por promover economia de papel – 6 milhões de folhas de papel só no primeiro ano. Mas eles terão que enfrentar alguns problemas: ler continuamente num tablet pode cansar a vista; fazer anotações em tablets é menos prático que no papel; tablets têm mil coisas (música, jogos, vídeos) para distrair a atenção; e até mesmo coisas pequenas, como usar a mesma fonte em todo o material, podem prejudicar a retenção de informações.
Os tablets começarão a ser distribuídos a partir de agosto, então logo teremos uma ideia de como os tablets se encaixam, em larga escala, numa universidade brasileira.


Pensei que minha amiga fosse ter um infarto, pois tem verdadeiro amor por publicações em papel. Mas ela afirmou que gostou muito da inovação, porque detesta "quando querem fotocopiar livros".





Agradecimentos a RitA.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha mulher não deixa não



"Vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não."

Agradecimentos a Luciano.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Site do dia

Incluí em "SITES INTERESSANTES" um link para o site Casa Fernando Pessoa. Agradecimentos a Zuzi.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

POEMA 20

"
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos.»

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.



"






Agradecimentos a José.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poema do dia







Segue um poema de um amigo.
"

Porque você permite que eu descasque o abacaxi?

Porque você apresenta esta técnica misteriosa , que separa a polpa da casca com precisão ?

De onde vem esta ciência que traça os limites e separa as categorias com respeito e sabedoria?

Sorver da polpa o sumo e devorar as fibras...

Extrair da casca as enzimas e medicinas para regular a digestão da matéria grosseira...

Ainda por adubo aproveitar os restos em novas frutas imortais...

Você é imortal? Você sabe ser imortal por um instante?

O fundo de você tem fim? Aí cabe eu em mim?

Porque tudo é assim?


"

terça-feira, 20 de julho de 2010

Qual é?

Segue um poema de um amigo.
"


Qual, senão o tal que se repete aí à náusea...

Qual, o desprovido de valor a que se referem à exaustão...

Sem razão ou coerência, haverá proposição?

Sem figura de linguagem, haverá composição?

Porque tantos ais, tantas vogais a invadir o espaço consonantal?

Hebréia, cabalista, imperatriz dos nove mundos,

Um sibilo, um sussurro , um sopro já compõe o necessário.

Já propõe o coerente, em figura imortal.

Exaurida,

Repousa adormecida sobre o leito essencial

Renovada, renascida, trabalha eternamente sem razão material!

Submeto meu nome à sua pronúncia

e meu apelo ao seu coração...





"
- J.

domingo, 25 de abril de 2010

O poema da buceta

A buceta da minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.

A buceta da minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.

A buceta da minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.


Braulio Tavares


* Este poema é do poeta baiano Braulio Tavares (http://www.sobresites.com/poesia/brauliotavares.htm). Achei genial, não sei se sofrerei repressão do Sr. moderador rsrsrsrsrs, mas estou colocando aqui sem o menor pudor.

terça-feira, 23 de março de 2010

Manoel de Barros

UM SONGO

Aquele homem falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.


P.S:
Escrever em Absurdez faz causa para poesia
Eu falo e escrevo Absurdez.
Me sinto emancipado.





Agradecimentos a Rita.