quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Ao mestre, com carinho.
Música: Ao mestre, com carinho.
Banda: Os Seminovos.
Desenhos: Maurício Ricardo.
(em www.osseminovos.com.br )
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
A little surprise.
O flagrante foi captado pelo fotógrafo Edgardo Balduccio durante a mais recente "parada gay" de Salvador. A foto foi batizada de "A little surprise".Edgardo é um cara muito talentoso. Os seus cliques podem ser vistos ali .
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Su(b)tileza portuguesa.
Abaixo um contra-exemplo, de outra nacionalidade.
domingo, 4 de novembro de 2007
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Movimento harmônico simples.
- Para iniciados em Mecânica:

- Para não-iniciados em Mecânica (clique na imagem abaixo):
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Voei !
Domingo fez um dia lindo. Meu caro amigo Guto resolveu dar uma de cicerone, então me levou pra passear de carro pela floresta da Tijuca, enquanto o lobo nao vinha.
Paramos na Vista Chinesa, depois na Mesa do Imperador, etc. Quando passamos pela subida da Pedra Bonita, eu disse que queria voar. Era uma vontade antiga, esquecida durante muito tempo.
Decidimos ir até a rampa ver se a minha coragem permitiria que eu voasse. Chegamos ao local onde há um controle de acesso à rampa (praticamente só sobe quem vai voar). Coincidentemente um instrutor de asa delta ia subir, e perguntou se nós queriamos voar. Eu disse que sim, então subimos com ele.
Ficamos por la vendo as decolagens, conversando com algumas pessoas, ouvindo propostas e incentivos, vendo criancas voando, e nada de a minha coragem chegar. O instrutor me deu um prazo pra eu decidir se voaria ou não, pois ele faria um vôo duplo dentro de minutos, e só subiria novamente se eu fosse voar com ele.
OBSERVAÇÃO: Com Internet Explorer 7 tive que "apertar o PLAY" duas vezes pra iniciar um video. Não me pergunte o motivo.
O fato de haver uma imagem de São Conrado la em cima nao me tranquilizou, até pelo contrario. O que me ajudou foi saber da reputação do instrutor. O cara voa há 22 anos, são mais de 10.000 vôos, a maioria deles ali. Somente naquele dia ele havia feito 5 ou 6 vôos duplos.
O horário-limite pra minha decisão chegou e eu pedi pra avisar ao instrutor que eu não voaria. Fiquei insatisfeito comigo mesmo, e continuei por lá: mais decolagens, 2 cervejas, 1 croquete de carne, mais conversas, e então a coragem chegou! E agora? Coragem sim, instrutor não. Eu puto comigo mesmo.
De repente, o instrutor apareceu!
Eu: "- Quero voar".
Ele: "- Infelizmente não vai ser possível, eu já atingi a minha quantidade-limite de vôos de hoje".
Não acreditei! Pensei que não teria outra oportunidade tão cedo. Eu voltaria pra Salvador no dia seguinte. Quando iria ao Rio novamente? Naquele momento eu pensava que na segunda-feira não haveria vôos duplos. Fomos embora, eu "de mal" comigo mesmo.
No dia seguinte acordei e comecei a pensar em como preencheria o meu último dia no Rio. Liguei pro instrutor, meio no espírito de "não custa nada tentar". O cara disse que daria pra fazer o vôo! Peguei um táxi, encontrei com o cara na área de pouso, subimos.
Na decolagem senti um pouco de medo, depois foi so alegria! Paisagem, vento, adrenalina, velocidade, tráfego, conversa. O vôo durou pouco, mas valeu!
Foi uma experiencia ótima! Voarei novamente.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Campanha em outdoor.


quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Papel concreto
Clique aqui.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Chema Madoz no Pelourinho.
Antes do post de Guto, eu nunca tinha ouvido falar no tal fotógrafo. Terça passada fui no Pelourinho e dei de cara com um banner da exposição. Infelizmente a galeria estava fechada.
Eu nunca fico sabendo dessas coisas, e mesmo quando sei raramente vou, mas dei uma pesquisada há pouco e descobri que a o cara fez uma palestra aqui no dia 24 de setembro!
A exposição "Poética" está na Galeria Solar Ferrão - Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho - até o próximo Domingo, 21 de outubro. A visitação é de terça a sexta, das 10h00 às 18h00, e sábados e domingos, das 13h00 às 17h00. A promoção é do Instituto Cervantes de Salvador e Ministério de Cultura da Espanha, com apoio da Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Sartre e a química
As ciências exatas, especialmente a física ou a química mais avançada, nunca foram muito prestigiadas como fonte de compreensão e de metáforas na filosofia ou nas ciências humanas. Obviamente, a sua aridez matemática e excessiva abstração dificultam a sua popularidade. Talvez somente a física quântica e a teoria da relatividade geral tenha estimulado a imaginação dos não especialistas, e se tornado mais populares (“Tao da Física”, anyone?), mas não mais compreensíveis, já que constata-se que mais de 100 anos depois do estabelecimento de seus postulados, elas ainda são vastamente incompreendidas e mal interpretadas, seja por filósofos, seja por psicólogos ou outros pensadores menos cotados. Mas Sartre tem uma frase maravilhosamente cheia de significados e de sabedoria que finalmente redime - no caso, a química - de suas interpretações errôneas e das bobagens ditas em seu nome. Uma frase que emprega um fato conhecido de todos nós desde a época de colégio e cria uma metáfora rica e complexa, daquelas clássicas mesmo, pois toca no fundo de qualquer inquietude filosófica, e permite aprofundar a reflexão sobre nosso destino e o sentido (ou falta) de nossa vida.
“Uma vida é feita do futuro como os corpos são feitos de vazio”.
(E no original, caso o leitor mais sofisticado desconfie de minha tradução: “Une vie, c’est fait avec l’avenir comme les corps sont fait avec du vide”).
Entender que a vida é feita de futuro não é difícil, já que pertence ao senso comum a idéia de que uma pessoa sem planos ou perspectivas definha e se esvazia de vida. Mas corpos feitos de vazio? Expliquemos: o diâmetro de um átomo (mais rigorosamente, de sua eletrosfera) é de 10 mil a 100 mil vezes maior que o diâmetro do seu núcleo. Ora, praticamente toda a massa de um átomo está em seu núcleo, já que a massa de um próton é cerca de 1.800 vezes a massa de um elétron. Ou seja, para todos os efeitos práticos e científicos, o átomo é oco, vazio. E como tudo que constitui os corpos, sejam humanos ou animais, vegetais ou inanimados, é feito de átomos, tudo o que sentimos, percebemos, tocamos e sabemos que existe é feito de vazio, inclusive e principalmente nós mesmos. E a comparação disto com nossa vida e nosso futuro? Deixo para a reflexão de quem lê estas linhas.
Ladrão pobre.
Memorize este rosto, trave as portas, feche os vidros, fique atento(a), e vote bem em futuras oportunidades.


quinta-feira, 11 de outubro de 2007
A danada da cachaça.

Champanhe (não encha meu saco!) só no natal e no reveillon, quando não consigo escapar. A minha implicância começou há anos, quando fui a um coquetel com uma pretendente. Ela estava achando que champanhe era água, e eu estava achando ótimo. Quando saímos do local, rindo e brincando, rolaram os primeiros beijos, e eu senti que a noite prometia. No carro, mais beijos, uns amassos, e negociação a respeito do nosso destino. Satisfeito com o resultado das conversações, parti rumo à terra prometida. Não tinhamos rodado nem 1 km quando ela pediu que eu parasse o carro. Encostei, ela colocou a cabeça pra fora da janela, e fez exatamente o que você está pensando. Forneci uns lenços de papel, dei apoio moral, aceitei os pedidos de desculpa, disse que aquelas coisas aconteciam, que ela não devia se envergonhar, que todos já havíamos passado por uma situação como aquela pelo menos uma vez na vida, blablabla, e deixei-a em casa. No dia seguinte as coisas correram bem melhor, mas ainda não encontrei motivos pra fazer as pazes com aquela pretensiosa e perniciosa bebida.
Raramente bebo em casa, e quase nunca bebo sozinho. Pra mim a bebida é um elemento de socialização, e não sou afeito a reuniões caseiras. Gosto de encontrar as pessoas em bares. Gosto muito dos freqüentadores de certos bares.
Tenho amigos que não freqüentam os tais bares de que gosto, portanto vou com eles a outros bares. O grupo é formado por, digamos, "pessoas que apreciam o consumo de bebidas alcoolicas". Segundo a Organização Mundial de Saúde, a maioria de nós não sofre de alcoolismo. Esta sociedade considera que bebemos "socialmente", logo somos extremamente sociáveis. Organizamos eventos pra beber.
"Cerveja: ajudando as pessoas feias a fazer sexo desde 1549". O ano varia, aqui a escolha não foi aleatória, a cerveja não é a única bebida, e todos nós precisamos de uma ajudinha aqui ou ali, por diversas razões. Segundo a psicóloga e professora norte-americana Pamela Regan, "Tanto o álcool como as drogas estimulam um comportamento menos conservador em relação ao sexo. Muitas pessoas bebem ou usam drogas porque encontram nesses dois instrumentos uma ótima desculpa para sua conduta”.
E aquele fatídico gole que nos leva da euforia à embriaguez? Bom seria não tomá-lo, e às vezes me aborrece constatar que não fui capaz de parar de beber quando deveria, num longínquo momento da madrugada.
As minhas ressacas manifestam-se como combinações dos seguintes sintomas: sede, fotofobia, poucas frases, intolerancia a certos alimentos, pouca disposição pra pessoas, complicações do aparelho digestivo e dores de cabeça. Combato-as com iced tea, cortinas cerradas, celular desligado, frutas, porta trancada, Floratil e paracetamol. Aconteceu recentemente.
Em Portugal diz-se “se conduzir não beba”. Também neste caso a minha lógica pede diferente, fico com “se beber não dirija”. Seja como for, a questão é importante e séria. Ainda dirijo depois de beber, apesar de saber que não deveria. Tenho evitado, mas as alternativas são caras ou desinteressantes. Houve ocasiões em que deixei o carro onde estava, ou pedi a alguém pra dirigir, ou dormi durante umas horinhas antes de pegar no volante, ou combinei previamente de dormir perto da festa, ou simplesmente não fui pro evento. Mas já aconteceu de eu voltar pra casa dirigindo e no dia seguinte não lembrar do percurso. O incrível “piloto automático”!
Preciso arranjar um(a) parceiro(a) de farras que seja abstêmio(a) e dirija bem. Não é fácil.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Misantropo, eu?
Surrealismo em fotos
http://www.chemamadoz.com/gallery1.htm?
Fotos de Salvador.
domingo, 7 de outubro de 2007
Da modéstia
Nunca pude compreender como a modéstia é considerada uma virtude, especialmente quando falamos em qualidades pessoais como inteligência, cultura ou sofisticação. Esconder nossos méritos para quê? Nietzsche diria que esta é uma falsa virtude, mais uma patifaria do cristianismo, esta religião de escravos que condena tudo que estimula a vontade e a força da vida, e que acha que a felicidade só existe depois da morte (tem um diálogo delicioso em "Ensaio de um crime" de Buñuel em que um homem pergunta a uma freira se ela acha que só será feliz no céu, e diante da resposta afirmativa, se oferece para matá-la. Engraçado que ela não aceita a oferta...). Diante das outras virtudes cristãs, esta sem dúvida é a mais desrespeitada, já que passamos o tempo todo exagerando nossas qualidades, mas sempre de maneira discreta, é claro, para não parecermos imodestos. Bem, depois de muitos anos de inquietude, finalmente descobri a resposta da pergunta "esconder nossos méritos para quê?"; e veja você, em um livro de filosofia. Aí vai:
"O que é, com efeito, a modéstia, senão uma fingida humildade, pela qual, no seio deste mundo infectado pela mais detestável inveja, se pedem desculpas pelas vantagens e pelos méritos a pessoas que são desprovidas de ambos? Porque, aquele que não se atribui nem vantagens nem méritos, pela simples razão de que efetivamente não os possui, esse não é de modo nenhum modesto, é só honesto".
Arthur Schopenhauer
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
O que aprendi para deixar de apanhar.
Em Irará aprendia-se também a tabuada. A tabuada era mais misteriosa do que aqueles navios que não tínhamos onde atracar, mais enigmática do que os infiéis que precisávamos expulsar. Era uma experiência dolorida. Oito vezes sete, 56. Eu me perguntava: "Quem pode, de sã consciência, provar que oito vezes sete é 56?" Oito vezes cinco, 40, oito vezes seis, 48. Um dia, me perguntei, com medo da resposta, quanto era dez vezes dez. Dizia para mim mesmo: "Ai, minha Nossa Senhora, aí vai ser um inferno completo". Quando a professora respondeu "cem", tive um grande prazer. Pensei: Deus está bem intencionado com a humanidade, Deus está olhando pelos seus filhos, pelas suas criaturas.
Para mim, a grande criatura era o alfabeto. A mãe até ensinava, desavisada, antes que entrássemos na escola, que "b" e "a" davam "ba", "b" e "e", "bé", "b" e "i", "bi". Mas, e para entender o que era isso? Quando janeiro chegou, e comecei na escola, com meus oito anos recentes, a professora mandou ler em silêncio, e eu nunca pensei que aqueles sinais podiam transmitir coisas tão exatas como aquele texto. O texto dizia que um aluno, colega nosso, tava com um problema em casa, e então pedia licença à professora para ir para casa. Nossa Senhora, era um verdadeiro assombro! Olhei para o lado, sem acreditar que todo mundo estava vendo o aluno pedir à professora para ir pra casa, se levantar, fazer esse gesto que movimenta milhões de músculos. Eu desconfiava que aquilo, aqueles sinais, não eram capazes de transmitir a todo mundo igual ao que eu estava entendendo.
Aprendi a falar com três anos. Todos aprendiam a falar com três anos. Eu ficava deitado no berço, e ninguém ia lá me incomodar. Durante a meninice toda, era todo o tempo possível para a contemplação do infinito. Passei quatro dias pensando no alfabeto. Será que todo mundo de Irará entendia aquele negócio com a exatidão que eu entendi?
E o raciocínio? Estela, minha irmã, ganhou um velocípede. Ela tinha quatro anos. Eu tinha sete. Naquela noite, passei todo o escuro planejando como eu ia ensinar Estela, de manhã, que o pé de cima empurra o pedal até a hora que chega no fundo, e que, quando chega no fundo, é o outro pé que começa a empurrar, e esse primeiro perde a força. Passei a noite toda na procura das palavras certas. Quando foi de manhã, Estela sentou no banquinho. Eu, a maior autoridade, o mais velho dos irmãos, comecei a dar a Estela as instruções. Estela não tinha o menor contato com essas coisas explicadas. Depois de um tempo foi um "Ah, isso não vale nada...", e saíram empurrando desembestados o velocípede "pa, pa, pa, pa...". Ela aprendeu mesmo. E eu fiquei decepcionado, fracassado, derrotado, porque eu tinha empenhado muito trabalho nisso.
Um dia, ganhei uma espingarda. Um tio que veio do Rio foi quem trouxe. Ela atirava rolhas. Tive uma coisa, que hoje só posso chamar de febre, porque fiz um cálculo que, se eu desmontasse a espingarda, ficaria com tantos pequenos materiais, e tão especificamente destinados a uma função, que, juntando com o que eu achava na rua, com as coisas que eu via de outros aparelhos de casa, ia ter uma verdadeira fornalha de Vulcano. Ao mesmo tempo, tinha medo que, uma vez destruída a espingarda, eu ficaria sem espingarda nem nada. Em mim vivia o sonho, a fantasia do criador, mas também a lógica do homem com alguma experiência, aos sete anos de idade.
Mais prazer tive ao aprender a amarrar o sapato. Amarrar sapato é uma coisa complicada, mas você pode se aproximar dela lentamente. Uma hora você vê o laço dado, outra hora alguém lhe dá uma primeira lição, ou seja, a primeira dobra do laço. Noutro dia você é capaz de pensar na segunda lição. A vantagem é que você sempre pode ver o sapato amarrado por alguém, para você comparar. E foi aprendendo essas coisinhas que percebi que o ato de pensar seria uma maneira de eu me mover dentro do mundo. Um sextante.
A grande prova disso tive pouco tempo depois com a ajuda do futebol, da garoa, de Carlito e de minha asma. Quando era pequeno, minha mãe pensava que a asma daria em tuberculose, que matou (naturalmente que de pobreza e de fome) a maior parte dos parentes de meu pai. Chuva, chuvisco, jogar bola, ar livre, sol - tudo era perigoso para mim. Eu estava jogando bola e, por uma janela do fundo da minha casa, a minha mãe via uma parte do campo, e eu ouvi ela gritar "Antonio José!". Pensei: "Hoje eu tô fodido". Aí veio a inspiração. "Quem é que parece mais comigo?" Ah sim, Carlito, filho de seu Albertino. Chamei ele, mandei que tirasse a blusa e botasse uma boina, como aquelas que o Heleno de Freitas e eu usávamos, nos anos 40. Pedi que Carlito passasse na frente da porta de casa, várias vezes. Carlito fez a coisa tão bem feita que, na hora que eu entrei em casa, minha mãe me disse:
"Nossa Senhora, Antonio José. Que bom que você está aqui. Já tinha pego a palmatória e o cinturão para lhe dar uma surra, pensando que você era o menino que estava jogando bola, e, quando o menino passou aqui, vi que não era você". Ah, a glória! Subiu aquele calorão dos meus pés. Não por não tomar a surra, mas por aprender que o raciocínio podia me salvar. A convicção de que isso era possível, que eu poderia enfrentar agora todos os meus inimigos, todas as proibições.
Na infância também aprendi outras felicidades que me acompanhariam. Quando a Segunda Guerra começou, em 1939, eu tinha três anos. Todos nós, em Irará, tínhamos três medos: Deus e o inferno, medo de Lampião e seus cangaceiros e, por fim, um medo terrível dos alemães, da guerra e de palavras como "Berlim". Até hoje não me lembro de uma emoção tão larga e ampla como a de uma manhã, a de 8 de maio de 1945, quando o professor Arthur, que me daria muitas outras felicidades, disse a todos nós a seguinte frase: "Desde a zero hora, no meridiano de Greenwich, que não se dá um tiro sequer na frente de batalha. Rendição incondicional do fascismo". Ele dizendo isso, e eu arrepiado. Esse aprendizado acabou sendo muito importante.
Meu livro de aprendizagens só ganharia capítulos mais gordos anos depois, quando conheci Hans-Joachim Koellreutter. Aprender música com ele e seus colegas era como descobrir como desarmar, ou não, aquela espingarda. Aprender harmonia era tão interessante quanto ensinar minha irmã a pedalar um velocípede. E aprender serialismo e dodecafonismo era tão interessante quanto descobrir que eu podia vestir um rapaz com minha boina e deixar de apanhar. Aprender, eu mesmo aprendi, é em grande parte deixar de apanhar.
(Tom Zé)
Intransitividade.
Escolho meus amigos. Na maioria dos casos escolhi-os há tanto tempo que nem lembro como. Sei de que forma continuo a escolhê-los a cada contato, sei quais as suas características, sei o que esperar deles, conheço bem a nossa solução de convivência, estou pronto a apoiá-los, sinto-me à vontade pra dizer qualquer coisa, sou propenso a perdoá-los, conto com o seu apoio.
Os amigos dos meus amigos chegam-me com uma carta de recomendação invisível, uma carta que diz algo do tipo "o portador é gente boa". Estas pessoas não são candidatas à minha amizade. Normalmente não me candidato a novas amizades.
Mesmo existindo a tal carta de recomendação, o processo seletivo ocorre. Se o amigo do amigo agrada, sinto-me feliz por ter havido uma recomendação, e sou levado a pensar que o novato pode tornar-se um amigo. Se não gosto do cara, fico constrangido, deixo de dizer, deixo de fazer, sorrio amarelo, compactuo com atitudes imbecis, etc. É uma merda!
Por favor poupe os seus amigos daqueles seus outros amigos.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Ativismo gordinho.
Hoje na Adhemar de Barros pelo menos duas das gordinhas de dona Eliana estavam usando "camisetas". A que eu consegui ler dizia "ABORTO LEGAL PRA NÃO MORRER". A frase me atingiu em cheio! Além disso, achei a forma de passar a mensagem muito interessante.
Pra mim a interrupção da gravidez com dignidade e segurança tem a ver com saúde pública e cidadania. Me incomoda muito o fato de a religião de alguns ditar a vida (e eventual morte) de todos. Penso que não faz sentido arriscar a vida de uma mulher pra poupar um supostamente divino feto ou embrião, especialmente se este for tornar-se humanamente miserável num horizonte de meses.
E olhe que eu estava evitando falar em religião aqui...
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Preguiça e amizade.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Somos uns machinhos otários.
Os dois estavam frente a frente, e olhavam-se nos olhos. O homem à minha direita, mais alto, parecia estar seguro de si, mas hesitou, desviou o olhar, e afastou-se. O outro seguiu-lhe o exemplo, visivelmente irritado. Cada qual no seu canto, pareceram desabafar com confidentes. Estavam tensos. Suavam. Olharam-se novamente e voltaram para onde haviam estado momentos antes. Agora pareciam decididos, e agiam como machos fanfarroes: gestos largos, ocupando o espaço, marcando territorios. O homem à minha esquerda bateu acintosamente no abdomen. Em resposta, o outro tocou o pênis por sobre a tanga. Achei que eram gestos estudados...
Havia ainda um terceiro homem, que trajava um vestido branco com detalhes em preto, meias brancas, sandalia baixa também branca. Usava um chapéu preto, e segurava um leque. O clima era tenso, e tudo parecia ser controlado pelo crossdresser. Depois de se olharem fixamente por alguns segundos, o homem à esquerda tomou a iniciativa e partiu em direcao ao outro, que respondeu positivamente. O que se seguiu foi um dos contatos mais intensos e dramáticos que já presenciei entre dois homens, excetuando-se atos de violência física. Eles pareciam ter fome um do outro. Eram ávidos, enérgicos, frenéticos. Agarravam-se, abraçavam-se, arrebitavam-se, tentavam despir-se mutuamente, procuravam a melhor posição. Mantiveram-se de pé, os rostos colados, mas não se beijaram. O crossdresser movia-se rapidamente de um lado pro outro em busca de bons ângulos.
Aquele frenesi não durou nem um minuto. De repente os dois caíram no chao, o mais alto por cima. Como se aquilo o tivera levado instantaneamente ao clímax, ele saiu da posição, rolando abruptamente para o lado. Levantou-se tão rapidamente quanto pode, mas não sem que antes lhe passassem a mão na bunda. As pessoas estavam enlouquecidas. O homem que tinha estado por baixo pôs-se de pé rapidamente. Ambos ofegavam. Tornaram-se arredios, e pareciam frustrados, especialmente o mais baixo. Evitaram olharem-se nos olhos, cumprimentaram-se de longe, e afastaram-se, cada um pro seu lado.
Os presentes estavam excitadíssimos! Pude perceber a essência daquilo tudo: subjugação, poder, controle. "Somos uns machinhos otários", pensei. Desconfio que tenho alguma simpatia por acrósticos. Desconfie também.
Para ver o video da performance descrita acima, clique aqui .
"O sumô é um esporte de contato onde dois lutadores (rikishi) tentam cada um forçar o outro para fora de um ringue circular (dohyo), ou a tocar o solo com qualquer parte do corpo que não as solas dos pés. O esporte originou-se no Japão, onde atualmente ainda é muito popular, sendo aquele o único país onde é praticado profissionalmente. Na história contemporânea, houve uma pequena porém significativa quantidade de lutadores não-japoneses, muitos chegando a atingir a condição máxima de yokozuna. Os japoneses consideram o sumô "gendai budo", arte marcial moderna, embora o esporte tenha uma história de muitos séculos. A tradição do sumô é muito antiga, e mesmo hoje o esporte conta com muitos elementos rituais, como por exemplo a utilização do sal para purificação, vinda do tempo em que o sumô era parte da religião Xintoísta. A vida de um rikishi é altamente sistematizada e controlada, com regras definidas pela Associação de Sumô. Os lutadores de sumô devem viver em "alojamentos comunitários" onde todos os aspectos das suas vidas quotidianas - das refeições à forma de vestir - são ditados por rígidas tradições."
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Relacionamento aberto
- Você por aqui? Ta tudo bem?
- Oooiiiiiiiiiiiii!!! Tudo! Tô saindo do dentista. Minha boca ta torta?
- Sua boca ta normal.
- E aí, tudo certinho?
- Tudo. Eu vim buscar uns exames de minha mãe...
- Ela ta bem?
- Ta.
- E as novidades?
- Tudo indo...
- Namorando?
- Tô.
- Com aquela mesma menina?
- É, ainda tô com ela.
- Que bom.
- Ah! Eu vi no seu orkut que você ta tendo um "relacionamento aberto". Que novidade é essa?
- Menino... é ma-ra-vi-lho-so! Cada um tem seu canto, a gente só se vê quando quer, pode ficar com outras pessoas, não tem cobrança...
- Interessante. Como foi que isso rolou? Que eu me lembre, você não tinha nada de aberta...
- Pois é... mas eu mudei. Cansei das mentiras de vocês, sabia? Eu simplesmente decidi que ia ter um relacionamento assim, e comecei a procurar alguém...
- E achou.
- Achei. Foi facinho!
- Jura?
- Tô te dizendo...
- Há quanto tempo ta rolando essa estória?
- Quatro meses.
- Sem problemas?
- Nenhum problema.
- Quem é o felizardo?
- ... Cláudio.
- Cláudio... eu conheço?
- Claro que conhece! Claudinho... seu irmão!
- Meu irmão?!?!? Mentira!!!
- Ele mesmo.
- Mas... a gente tem conversado tanto ultimamente... e ele não me disse nada...!
- Deve ser porque ele não ta sabendo...
- O que?!? Você pirou???!!!???
- Pirei nada. É assim: eu falo que tô tendo um relacionamento aberto. Se alguem insiste muito em saber com quem, eu digo que o nome do cara é Cláudio, mas não dou referências. Faço de tudo pra não identificar. Até agora só tive que dizer que é Claudinho-seu-irmão pra duas pessoas, mas eu duvido que ele fique sabendo de alguma coisa através delas.
- Putaquipariu!
- Calma. Veja bem... eu digo que a relação é totalmente aberta, que mora cada um no seu canto, que a gente só se ve quando quer, que a gente às vezes se encontra mas não fica junto, que a gente pode ficar com outras pessoas, que não rola cobrança, blablabla...
- Sim...
- ... aí ninguem estranha se eu tô sozinha, não vão achar esquisito se virem ele com alguém, acham normal a gente não sair juntos, não me enchem o saco porque eu tô solteira, eu fico com quem eu quero, ninguém me vigia, não fazem fofoca, a ainda me acham cabeça, sexy, interessante, cool, moderna, e tal. É só alegria!
- Carlinha, o cara tem namorada!!!
- Qual é o problema? Todo mundo sabe que a gente pode namorar outras pessoas.
- Você é doida. Ele vai reagir mal se souber desse "relacionamento" de vocês.
- Ele vai ficar puto! E vai terminar comigo.
- Você não ta preocupada?
- Não muito. Voce sabe que a gente é super-amigo, né? Ele vai se zangar, depois vai deszangar, e a gente vai dar muita risada dessa estória.
- Pode ser...
- Você não vai contar a ele, vai?!?
- Eu não! Mas eu acho melhor você terminar esse tal relacionamento...
- É... talvez seja melhor mesmo. Mas é uma pena...
- Por que?
- Menino... a minha cotação subiu horrores... os carinhas ficam super-interessados! Peraí... só se...
- O que?
- ... meu próximo relacionamento aberto pode ser com Adriana. Imagine aí: eu sendo bi e tendo um relacionamento aberto... os caras vão fazer fila!!!
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Porto da Barra.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Carta eletrônica 2.
Namoramos, vemos filmes, comemos com prazer, rimos muito, estamos com amigos, viajamos, dançamos, passeamos, gostamos da companhia do outro. Conversamos sobre trabalhos, ou a respeito das vidas dos próximos, contamos como foram os dias, falamos dos sonhos. Dizemos não querer casar e não pretender parir tão cedo. Será que queremos brincar de casinha?
Certamente tememos terceiros na nossa estorinha. Queremos acertar, equilibrar tudo, e corresponder. Sabemos omitir, mentir, mistificar, seduzir e desprezar. Queremos ser amados. Queremos romance e estabilidade!
A nossa passagem é breve. Somos pequenos, mas a vaidade é enorme, assim como a necessidade de possuir. Há demasiadas convenções, regras e convicções. Esquecemos que “as nossas certezas são sempre provisórias”...
Às vezes me dá um desalento, eu quase desatino, quase tomo uma atitude drástica com pouco gelo. Fico estressado, acabo tendo atitudes frias, deixo de fazer sentido, tenho dores de cabeça e reescrevo cartas eletrônicas.
Então olho em volta, respiro fundo, tento me recuperar, apelo pra amnésia, assisto comédias, e vou levando...
domingo, 2 de setembro de 2007
Amor e Sexo.
(Arnaldo Jabor)
sábado, 1 de setembro de 2007
Dos botecos.
Que sou afeita a uma cerveja gelada num boteco anacrônico com os mais variados personagens a freqüentar um balcão, não é novidade. Que, além disso, ando penando para salvar minha verve de esquerda diante de tamanho esfacelamento de utopias, é mais que sabido. Certamente vocês, meus amigos, vivem dramas similares. O que até então eu não havia pensado, ou melhor, sistematizado era o quanto esse drama pode ser exasperado e digerido no melhor dos sítios, o boteco. Explico: não falo aqui daquelas conversas infindáveis que culminam em monólogos em grupo sobre formas de reagir a Bush e engolir Lula .... o insight é de outra ordem!
Falo de nossas pulverizadas formas de resistir à lógica do capital e suas crias! Claro já tentamos de tudo: DCE, sindicato, boicotes à Nike enfim ... partes que nos cabem neste latifúndio, ops... partes que nos cabem neste assentamento!! Mudemos o texto de Cabral... o de João e o do Álvares!!! Anos de resistência e sempre nos sentimos devedores à causa, pois catalogamos atitudes de efeitos minimalistas... Mas, eis que surge o insight... Lá estava eu vindo de um programa capitalista no último volume. Bairro: Leblon! Cruzei com o ícone do mundo fantasmagoricamente belo e sem antinomias: Manoel Carlos. O narrador do sonho burguês. Cruzei com ele no shopping do Leblon e lembrei o quanto ele fez um Photo shop no Rio de Janeiro em sua última novela....pensei: Leblon....é Leblon. Daí comecei a entrar no clima Photo shop social: vitrines, Livraria Travessa...cafés...puro Glamour. Pasmei ao olhar os fetiches do capital....ô maravilha (em tom baixinho)...Daí eu e minha amiga Nelma, também afeita aos botecos, sindicatos e ao glamour resolvemos voltar pra casa a pé, meio que intimando o acaso...E AÍ?
Surge então o Popeye!!! Não o marinheiro também ícone da referida lógica do capital e seus produtos para fortalecimento de músculos e egos! Mas o boteco Popeye! O último boteco da Visconde de Pirajá-Ipanema! Geograficamente comprimido entre lojas de griffe e restaurantes de culinária internacional, o Popeye se impunha monstruoso não obstante suas medidas! Uma esquina, ah! Uma esquina! Essas coisas que Brasília não tem (em todos os sentidos)!!!! E lá estavam personagens de todas as épocas e épicos...estrangeiros com português fluente, bêbados, esposas ciumentas, amigos do futebol e transeuntes, como nós, que não resistiram ao cenário ao céu aberto cuja musica executada variava da bossa nova à nona de Bethoveen! Nesta esquina músicos tocavam e se avolumavam....todos que, por obra do acaso, passavam ali com instrumento na mão permitiam-se acatar os sinais que a deriva que é a vida oferecia... e como se estivessem sido escolhidos por divindades, paravam e retiravam o instrumento da bolsa...a Big Band ia se formando....Eu testemunhei no Popeye, o bar de um portuga mau humorado (quase um pleonasmo isso), um churrasco coletivo em pleno vapor...entre notas dissonantes, um pratinho circulava... Pensem numa picanha macia??? Num chopp bom... e nos amigos de infância que rapidamente se formavam...pensem nas gentilezas dos senhores galanteadores, nos depoimentos de histórias de vida que jorravam depois de uma rápida apresentação...ali todos comiam junto o churrasco coletivo, todos toleravam a lerdeza do garçom que servia o chopp, o mau humor do portuga, a imundície do banheiro, os rodopios do mendigo que insistia em dançar como nos musicais da Broadway ( fazendo jus à Big Band)... O tempo não era o do “time is money”... havia ali naquela esquina de Ipanema um experiência de tempo que não a do capital, não a da rapidez dos produtos! O tempo da fabricação, da produção, uma das formas mais impositivas do capitalismo era simplesmente negligenciado! E ninguém levantava bandeiras para tanto! Rompido o imperativo do tempo...outros ícones do massacre selvagem do capitalismo sucumbiam. Ninguém quis saber dos proventos alheios, dos contra-cheques, das posses e declarações de imposto. Todos estavam no mesmo patamar social...todos, exceto o mendigo dançarino que incomodava mais pela sua ânsia de roubar todo o palco (o passeio) do que pelos trapos que eram suas vestimentas. Afinal, todos estavam com poucas vestimentas...das concretas que tampam o corpo às simbólicas que mascaram a “persona”...como diz Sartre, todos estavam: “nus como minhocas”!! E o diálogo era fluido, às vezes trôpego dada certa embolação na língua... e os amigos se formavam sem carta de procedência...o espaço não tinha a propriedade consolidada....todos em pé, circulavam de roda em roda de conversa, despreocupados sobre quem seria caça e quem seria caçador na segunda-feira. Quem ocuparia este ou aquele endereço comercial no dia seguinte. Estas questões não cabem num boteco.. Muito menos num do tipo Popeye, cujo banquete circulava coletivamente de mão em mão. Ali a loucura não era medicalizada, os tipos não eram diagnosticados, os estratos sociais demarcados! Ora, mas não era essa ruptura que sonhávamos??? Um tempo que não o da produção em série, um convívio com o diferente que não o da classificação sócio-psiquiátrica? Uma música que não o “jabá”? Uma rua que não sirva exclusivamente para perpetuar o comércio da indiferença? Uma comida que sirva a todos?
Os discursos que nos penetram e encarceram ali não recebiam tributo. Senti-me numa revolucionária experiência de ruptura em relação às amarras do capitalismo. Lúdica ruptura, mas efetiva. No coração do glamour de Ipanema um nicho de resistência sem bandeiras em punho, com copos na mão, versos na cabeça e muita disposição. O último boteco, BOTECO, no seio do comércio de elite. E digo BOTECO com maiúscula, pois estamos cansados de ver por aí “produtos-boteco” ou botecos de decoradores (mais um serviço vendável) que reproduzem o ambiente físico, mas não o vivencial! Montam os garçons com modelitos a “la boteco”, mesas e pisos seguindo o figurino, esquecendo que o boteco é o lugar da des-configuração! Da ruptura. E estes que não são lançamento do último verão, estão exíguos... agonizantes. As vivências que ali se engendram, se agenciam, estão minguando e os verdadeiros boêmios – expatriados – obrigados a beber em “delicatessem” ou a fenecer em casa...
Há muito eu já não ia à porta de fábrica, fiz isso na graduação.
Há muito não panfleto, fiz isso há um tempão.
Há muito eu não acredito nas assembléias sindicais, apesar de fazer isso até hoje.
Mas, há muito vou a botecos...dos copos sujos, de corpos não assépticos...palco de narrativas tortuosas, de desejos pouco nobres, mas de solidariedades raras, de lógicas insurgentes ou para-consistentes....contudo, só agora, depois do Popeye compreendi o magnetismo que este canto sempre exerceu sobre mim...Ali, entre um copo e outro...um texto e outro, estagnamos o trator que tece homogenias temporais, culturais, vivenciais!!!! Nós, simples freqüentadores cheios de filosofias e teses esdrúxulas proferidas na mesa às vezes professoralmente, às vezes de modo ininteligível....Nós que ouvimos e desfiamos queixumes de todas as ordens entre um salame e um ovo rosado... Nós que amamos determinado garçom como a nossos professores da infância... Nós que nos entregamos à deriva ao boteco, sem anunciar ou até mesmo intuir, estamos quebrando imperativos dos mais virulentos... criando outros tempos, outros espaços, outros modos de elos humanos. Tomando esse aguardente que nunca sacia, fazemos revolução molecular...num âmbito que os marxistas de plantão nunca entenderiam!!!!!
Um brinde aos agenciamentos transgressores do Boteco!! Às esquinas, aos garçons, aos meninos, às meninas! E que o mau humor dos “portugas” nunca seja vítima da fluoxetina, a lerdeza dos garçons do treinamento empresarial, a imundície do banheiro da vigilância sanitária! Para que possamos continuar a tomar importantes decisões de nossas vidas neste templo de rupturas!
Ao engajamento etílico, companheiros!"
(Caroline Vasconcelos)



